O Santuário

História do Santuário Tabor da Liberdade

História do Santuário Tabor da Liberdade

Início do Movimento Apostólico de Schoenstatt na Arquidiocese e escolha do ideal “Tabor da Liberdade”.

 

“Conhece a terra Igual ao céu..
o Reino da Liberdade ardentemente almejado”… Pe. José Kentenich

Como tudo começou…

 

1987

Início da Campanha da Mãe Peregrina e Visita da Ir. M. Fernanda Balan 

Deus nos fala pelos acontecimentos da vida. Em 31 de maio de 1987 aconteceu o envio da primeira Imagem Peregrina da Mãe e Rainha, do Santuário de Atibaia/SP para Sabará/MG. Pouco tempo depois, a Campanha da Mãe Peregrina cresce e ganha forças com o envio da primeira Imagem Peregrina na paróquia Mãe da Igreja, com Pe. Danilo. A partir daí, Schoenstatt encontrou um solo fértil na Arquidiocese de Belo Horizonte. E rapidamente foi lançando suas raízes. De casa em casa, a Imagem de Graças da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável foi conquistando corações.

 

Ir. M. Inácia e Ir. M. Diná. “Um dia com Maria” em Sabará/MG, 31 /05/1987. (foto: Mercês Duarte Moreira)

 

A primeira semente do Santuário foi lançada em junho de 1987, num encontro na fazenda do casal Barbosa e Zelinha, na experiência da Jaguara. Ali houve um chamado. Schoenstatt foi a resposta. Com os objetivos de construir um homem novo e uma nova comunidade, reconquistar a harmonia entre o natural e o sobrenatural e promover uma vocação apostólica, Schoenstatt é a resposta mais certa. Em agosto esta ideia foi levada a D. Serafim, arcebispo de Belo Horizonte que se entusiasmou por ela. Logo após, em dezembro teve a 1ª romaria para o Santuário de Atibaia/SP.1994- Primeiro Santuário Lar de Belo Horizonte

 

Visita da Ir. Fernanda Ballan na fazenda do casal Barbosa e Zélia.

 

 

1994

Santuário Lar Terra da Alegria

Em 1994 foi consagrado o primeiro Santuário Lar de Belo Horizonte, da família Paulo, Isa, Paulinho e Adriano.

Consagração do Santuário Lar Terra da Alegria, 17/10/1994 (fotos do arquivo pessoal da família).

 

Daí em diante Minas se deixou invadir pela Mãe de Deus. E Ela fez suave violência em todos, permitindo que cada um se tornasse missionário na causa de Schoenstatt. E o amor a Mãe de Deus é tão fértil que em seguida houve instituição de diversos Santuários lares. Em 1995 o Padre João de Deus consagrou mais 27 santuários lares.

A seguir um belíssimo testemunho publicado no Jornal do Movimento Apostólico de Schoenstatt de 1997, escrito pela Maria Evangeli da paróquia Santa Luzia.

 

Jornal do Movimento Apostólico de Schoenstatt de 1997.

 

 

1997

A escolha do Ideal Tabor da Liberdade

O “sonho” do “Tabor da Liberdade” começou a ser alimentado nos início dos anos 90. A Mãe de Deus foi escolhendo seus instrumentos, formando-os na pedagogia e plasmando-os na espiritualidade do Pe. José Kentenich. O povo mineiro por tradição traz na alma um profundo sentimento religioso e a piedade mariana. Isso fez com que o Movimento de Schoenstatt se expandisse rapidamente em nossa Arquidiocese.

No dia 26 de Maio de 1997 aconteceu uma Celebração Eucarística, com a consagração do Santuário-Lar, da casa do Movimento, em Belo Horizonte. Oficializado pelo Cardeal Arcebispo, D. Serafim Fernandes de  Araújo e com a presença do Pe. Milton. Unido à consagração do Santuário Lar, o ideal do Santuário “Tabor da Liberdade”  foi escolhido. Neste dia a Mãe de Deus foi coroada como Rainha da Liberdade.

 

Pe. Geraldo Viana, Pe. Milton e D. Serafim, durante a Consagração do Santuário Lar “Tabor da Liberdade”.

 

O nosso Estado de Minas Gerais foi, historicamente, o berço do ideal de liberdade, quando o Brasil ainda era uma colônia de Portugal. Libertas quæ sera tamen (Liberdade ainda que tardia), palavras usadas como lema e que hoje figuram a bandeira do estado e também foi a inspiração para a criação do ideal. Como filhos de Schoenstatt  aprendemos que ser livre deve ser o ideal de cada homem. O ideal da verdadeira liberdade sempre foi um anseio de nosso Pai e Fundador desde os primórdios do Movimento.

 

Imagem retirada de uma palestra do ECC ministrada pelo casal Paulo Teodoro e Isa Carvalho que serviu de inspiração para a criação do símbolo do Santuário. E Pedra fundamental.

 

No campo de concentração de Dachau. o Pe. Kentenich disse:

“Com prazer carrego eternamente sombrias cadeias de escravo, para salvar a liberdade da Família…” (Rumo ao Céu – 447).

 

Para entender melhor o conceito de Liberdade dento do movimento de Schoenstatt podemos analisar esse texto do Pe. Jaime Fernandez (1995):

“O ser humano está continuamente fazendo o uso de sua capacidade de escolha ou do livre arbítrio; faz um bom ou mau uso. Como resultado desse processo obterá bons ou maus frutos: tornar-se-á viciado, encher-se-á de defeitos e manias ou então, tornar-se-á virtuoso e cheio de perfeições. A culminância do processo de liberação, no entanto, será o mundo de vinculações pessoais com que se irá enriquecendo.”

 

Veja abaixo carta de felicitações enviada pela Irmã M. Reginita:

Arquivo do Santuário Tabor da Liberdade.

 

 

Um pouco mais da nossa história…

Sim, nossa Mãe já conhecia essa terra. Terra rica em tradições religiosas, desde que bravos pioneiros aqui pisaram transpondo ricas montanhas e belos vales a cata de riquezas minerais, estes bandeirantes ao mesmo tempo que retiravam do nosso solo ouro e pedras preciosas, foram semeando outra preciosidade: a fé. Construíram ermidas e capelas homenageando a Virgem. Procissões subiam e desciam ladeiras, ladainhas eram cantadas. Assim foi sendo plantado no coração dos mineiros um profundo amor e respeito à Mãe de Deus. O tempo foi passando, a piedade se enraizando. Religiosidade e liberdade sempre foram sentimentos profundos da nossa gente. Nossa Arquidiocese nasceu já com a marca de Maria. Os que por aqui passavam já se inclinavam e pediam a proteção à Virgem da Boa Viagem. E tempos depois a pequena capela deu origem a nossa Catedral Metropolitana. Belo Horizonte e nossa Arquidiocese são novas no contexto histórico, mas a nós importa que quando a Divina Providência nos enviou a primeira Imagem Peregrina da Mãe e Rainha, ela já encontrou aqui um solo fértil e uma acolhida tão calorosa que, num curto espaço de tempo o Movimento Apostólico de Schoenstatt já estava integrado na Arquidiocese, graças ao apoio do nosso Cardeal D. Serafim e o sim sincero dos filhos que a própria Mãe escolheu. Não tardou muito para que pudéssemos cantar: “por nossa Judéia, ó Mãe com carinho, tu vens apressada, estás a caminho. E onde tu chegas a paz faz morada, as portas te abrimos em cada chegada “Neste peregrinar incansável da Mãe, ela foi conquistando outros corações: casais, mães, juventude e apóstolas e com elos tão fortes e muitas contribuições ao Capital de Graças, foi despertando o anseio de ver construído em nossa Arquidiocese o Santuário da MTA.

Sim eu conheço esta terra maravilhosa, é o prado de sol no brilho do Tabor, onde Nossa Senhora Três Vezes Admirável impera no meio de seus filhos prediletos e retribui fielmente todos os dons de amor, manifestando sua glória e infinda fecundidade: é minha terra natal, minha terra de Schoenstatt!” (Pe. José Kentenich)

É meu Tabor da Liberdade!

(Texto retirado da Crônica de Inauguração do Santuário de Schoenstatt Tabor da Liberdade.)

 

 

1999

Coroação no mineirinho

Belo Horizonte foi presenteado com um grande evento de fé no dia 09/10/1999. 

Durante quase cinco horas, um Mineirinho lotado se uniu, em torno da figura de Nossa Senhora, dando graças e aproveitando a ocasião para reforçar a fé. A festa de coroação das 1630 imagens peregrinas de Maria em Belo Horizonte, marcou a maior concentração de integrantes do Movimento Mariano no Brasil, ontem. Além de representantes das paróquias da capital, a consagração reuniu fiéis de mais de 20 cidades mineiras.

Marcado para ter início às 14 horas, o culto superou a previsão da organização e foi preciso paciência para encaixar quem ficou de fora. Só meia hora depois, com o ginásio já lotado, grupos de 30 pessoas puderam entrar e ocupar corredores. Coreografias e um show especial do padre Antônio Maria Gomes aqueceram os fiéis, a maioria mulheres vestidas com camisa com a imagem de Maria com o menino Jesus em seu colo.

 

 

 

A entrada da imagem gigante de Nossa Senhora mexeu com a emoção dos participantes. Sem segurar as lágrimas, Nayme Nacif do Nascimento Teixeira, da Paróquia São José, disse que Maria representa “a mãe de todos, que nos consola, que nos atende em nossos pedidos e traz paz a nossos corações” (Zeladora da imagem Peregrina). Para ela a festa representou um momento de louvor a uma das mais fortes figuras do catolicismo.

Liderando um grupo de mais de 30 pessoas, a dona de casa Lúcia dos Santos, 54 anos, trazia agarrada ao peito a imagem de Maria. Responsável pela formação de 4 grupos de 30 famílias cada, no bairro Água Branca, ela lembra que Maria é sinônimo de paz entre os membros da família.

“Parece que nós brasileiros bebemos o leite materno de Maria, pois mesmo vivendo todos os nossos problemas, como a fome e as diferenças sociais, não perdemos a fé”, resumiu irmã Maria Nely Mendes, organizadora da festa. Fundado pelo padre José Kentenich, na Alemanha, em 1914, o Movimento Mariano é mundial. “Através da força de Maria o movimento busca levar o Cristo aos lares, reforçando o espírito da família. É um trabalho de evangelização através de Nossa Senhora”, explica.

A coroação das imagens foi celebrada pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, David Dias Pimentel. Para ele, a festa de ontem é mais uma manifestação da fé do povo da cidade e marca os 10 anos do Movimento Mariano na arquidiocese. “O povo se identifica com Maria, pois ela simboliza a mãe que nos ouve e está junto a seu filho no céu.

 

(Texto retirado do Jornal Estado de Minas de 10 de outubro de 1999, página 16.)

 

 

Em uma reportagem para o jornal O Tempo, a repórter Ana Cristina D’Angelo escreve:

 

Coroação reúne 35 mil fiéis na capital

O Movimento Apostólico de Schoenstatt reuniu ontem, no Mineirinho. cerca de 35 mil pessoas para a coroação de 1.600 imagens peregrinas de Maria. O encontro contou com a presença do padre Antônio Maria, que gravou a música “Mãe Peregrina” com Roberto Carlos, e bandas católicas. A celebração foi presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom David Dias Pimentel.

O Movimento de Schoenstatt foi fundado na Alemanha. em 1914, pelo padre José Kentenich, chegou ao Brasil em 1935 e a Belo Horizonte em 1989, com o apoio do cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo. Tem como objetivo a evangelização de famílias através da imagem de Maria.

“As famílias estão esfaceladas hoje e por isso vamos a casa das pessoas levar espiritualidade, muitas vezes, em locais onde os sacerdotes não entram”, explicou a assessora do Movimento em Belo Horizonte, irmã Nely Mendes.

Visitas

Voluntários se transformam em “zeladores” das imagens que visitam 49 mil famílias de 95 paróquias da Arquidiocese de Belo Horizonte a cada ano. A coroação das imagens está acontecen do em todo o país em preparação ao novo milênio. A Igreja Católica considera

2000 como ano santo e prepara várias celebrações para marcar a data.

O público que compareceu ao Mineirinho surpreendeu os organizadores. Muitas pessoas ficaram de fora em função da superlotação.

 

(Texto retirado do Jornal O Tempo de 10 de outubro de 1999.)

 

Nosso querido Lucídio Araújo, deixou uma crônica em seu livro “Pedaços de mim”, contando como foi para ele a experiência de participar da Coroação no Mineirinho:

“Crônica de um Homem sem Fé

Pois é,

na desavença

da descrença,

virei Tomé.

Estava presente quando se começou a falar na coroação de Mãe Rainha. Tudo muito bonito. Comecei a participar das reuniões preparatórias com algum entusiasmo.

Então, alguém falou em promover o evento no Mineirinho. “Vamos lotar o ginásio. Vamos colocar 20.000 na cerimônia. A Mãe merece.”

Foi aí que comecei a duvidar. achava que era muita pretensão, era sonhar muito alto. Não acreditei.

E a turma dos dirigentes foi levando o sonho adiante. Eu, duvidando do sucesso daquela empreitada de fé.

As diversas equipes foram sendo formadas. Havia equipes para tudo. promoção, liturgia, confecção de impressos, contatos com as autoridades da arquidiocese, com a imprensa escrita, falada e televisiva, etc. Para cada atividade, havia um grupo entusiasmado.

Eu, quieto no meu mutismo, sem acreditar no poder da fé.

Disseram-me que a fé era capaz de mover montanhas. Mas a minha fé ainda é muito pequena. Não me lembrei de que a homenageada seria a Mãe de Deus, a Rainha do novo milênio. Fiquei no meu canto, nenhuma palha movi. É difícil trabalhar por uma causa que, no meu entendimento, estava destinada ao fracasso.

E as equipes, doidivanas da fé, batalhavam a todo vapor.

Vamos lá! É possível! Para a Mãe, nada será difícil!

Os trabalhos foram evoluindo sob as bênçãos de Deus e de sua Mãe.

Quem não quer ver sua Mãe coroada? Obviamente, era a vontade de Deus. Mas, no meio de tudo, havia um cego que não enxergava. Triste de mim porque o cego era eu.

O movimento foi crescendo, as dificuldades surgiam e eram superadas. As pessoas, muito melhores que eu, desdobravam-se na firmeza da segurança que a maravilha da fé lhes garantia.

Então, o dia da coroação chegou. Calado, no desconforto do meu ceticismo, fui para o Mineirinho, buscando ao menos não causar decepção à minha mulher. El, que, com a sua parcela, contribuiu. Fui ser companheiro, um companheiro agourento.

Chegamos cedo, e logo comecei a me assustar. Tudo movimentado, tumulto de tanta gente chegando, e eu me misturei à multidão. Só que eu era diferente dos outros. Tão pequeno, diante de tanta demonstração de afeto.

O ginásio foi lotando, as equipes se desdobrando, corre pra cá, corre acolá, e a cerimônia começou a acontecer. Comecei a me deslumbrar com todo o carinho que havia sido colocado em cada afazer daqueles doidivanas. Tudo certo, tudo a seu tempo, tudo em seu lugar.

As canções do Padre Antônio Maria, lindas – talento emprestado por Deus -, começaram também a e me tocar. Tudo me tocava, e tocava tão fundo que me deu inveja de tudo. Inveja pela pequenez de minha fé, inveja da capacidade que cada um demonstrou para que o trabalho desse certo e, sobretudo, muita vergonha. Vergonha de tudo e de todos. Tive vergonha da Mãe. Nem fui capaz de olhar para Ela, com os olhos levantados. Senti na face a sutileza do tapa que recebi. 

No momento da Eucaristia, cheguei a me sentir impedido de participar. Mas, então, acreditei na misericórdia do Pai. Fui aquele operário que chegou na undécima hora e que mereceu o carinho afetuoso do Senhor.

Participei da Eucaristia, lembrando-me do abraço carinhoso do pai na parábola do Filho Pródigo. Eu era aquele homem descalço, maltrapilho, que estava de volta ao Pai.

Então, pedi a Deus que desse a todos a satisfação e a alegria de missão cumprida, e a mim, a misericórdia do seu perdão. E, a Mãe Rainha, em quem vergonhosamente não acreditei, pedi o afago de sua bênção e a força da perseverança.

Que Deus me ilumine daqui pra frente, reforce a minha fé e me permita reparar meu desengano.

E, aos meus companheiros de caminhada, peço desculpas e um ombro amigo onde possa descansar minha cabeça oca.

(Lucídio Araújo, outubro de 1999)

(Imagem da Mãe e Rainha que foi coroada)

 

(Cerca de 35.000 pessoas reunidas no Mineirinho)

 

(Entradas da celebração)

 

(Dom David Pimentel, na época Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte)

 

(Participação especial do Padre Antônio Maria)

(Padre Lourival Felipe Soares, Norma de Jesus Sousa Costa, Epaminondas Fortes da Costa, Padre Antônio Maria, Maria da Penha Pereira Byrro, José Luiz Costa Byrro, Paulo Teodoro Carvalho, Isa de Oliveira Carvalho,  Dom David Pimentel e Padre Aquiles Rubin

 

 

 

Continua…

 

 

 

Referência:

Crônica de Inauguração do Santuário de Schoenstatt Tabor da Liberdade

Jaime Fernandes, Educação para a Liberdade Movimento Apostólico de Schoenstatt, Centro mariano, Santa Maria – RS

Jornal do Movimento Apostólico de Schoenstatt edição de 1997

Jornal Estado de Minas de 10 de outubro de 1999, página 16

Jornal O Tempo de 10 de outubro de 1999

 

 

 


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