“Instrumentos aptos nas Mãos da Mãe”

8 de fevereiro de 2019

 

A palavra instrumento deriva do Latim instrumentum, “ferramenta, vestimenta”, de instruere, “arranjar, fornecer o necessário”. Sua definição é, objeto simples ou constituído por várias peças, que serve para executar um trabalho, fazer uma medição ou observação. Em resumo, um instrumento é um objeto que pode ser utilizado para se realizar uma atividade, simples ou complexa, de acordo com a vontade daquele que usa.

 

Ao rezarmos a Consagração à Nossa Senhora, dizemos “como coisa e propriedade vossa”, às vezes a palavra “coisa” pode soar áspera aos nossos ouvidos, porém o sentido dado à essa palavra é sermos instrumentos nas mãos da Mãe para que Ela faça de nós aquilo que lhe aprouver.

 

Muitos ficam receosos de colocarem a sua vida nas mãos da Mãe, imaginando que Ela enviará dores e sacrifícios sobre nós, mas se esquecem que “a Mãe tem o perfeito cuidado de tudo”, e que não temos o que temer pois “Ela é nossa Mãe e a causa da nossa alegria”. (Nossa Senhora de Guadalupe à Juan Diego)

 

Santa Teresinha do Menino Jesus nos exemplifica muito bem o que é ser instrumento nas mãos de Deus e da Mãe: “Eu sou a bolinha do Menino Jesus, que Ele faça de mim o que quiser. Brinque à vontade com a sua bolinha. Se me quiser atirar a um canto, abandonada, serei feliz, contanto que Ele o queira. Eu me ofereço ao Menino Jesus para ser o seu brinquedo, uma bolinha que Ele pode pisar, ferir, atirar ao canto ou apertar contra o coração. Enfim, eu quisera divertir o Menino Jesus e entregar-me aos seus caprichos infantis. (História de uma alma, capítulo 6)

 

Falando em instrumento, lembramos também de São Francisco de Assis e sua bela oração pela paz, “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz!” Através de cada verso nos colocamos nas mãos do Senhor para que Ele nos use como quiser para que a paz seja alcançada, mesmo que encontremos ódio, ofensa, discórdia, dúvida, erro, desespero, tristeza ou trevas. Esta é uma oração que convida a nos colocarmos nas mãos do Mestre para sermos aqueles que tomam a iniciativa de consolar, compreender, amar, doar, perdoar e, se preciso for, morrer para que a vida aconteça.

 

O instrumento não tem vontade própria, mas é obediente aquele que o utiliza, acaso o machado se gloria contra aquele que o segura? Ou a serra se engrandece contra aquele que a maneja? Como se o bastão pudesse balançar quem o ergueu, ou a vara levantar aquele que não é madeira!” (Is 10,15) Assim também somos nós nas mãos do Senhor, somos seus instrumentos para que Ele faça o seu Reino acontecer. Muitas vezes queremos ser um instrumento com vontade própria, realizando a obra do nosso jeito, de acordo com a nossa imagem e semelhança. Se refletirmos sobre a nossa vida, veremos que na maior parte das vezes que agimos por impulso, e não perguntamos a Deus qual a sua vontade em uma determinada situação, o resultado não foi bom, causou sofrimento e deu errado. Mas quando nos colocamos nas mãos de Deus e procuramos ser obedientes a sua vontade, exercendo a fé prática na Divina Providência, temos paz no coração, pois Ele está no comando de tudo, e mesmo que não saia da forma que esperamos, sai de acordo com a Sua vontade.

 

Em Schoenstatt buscamos viver com profundidade o desejo de ser instrumentos nas mãos da Mãe. Desde o início do Movimento, o Pai e Fundador já imprimia este carisma em seus filhos. Em 18 de outubro de 1914, no Primeiro Documento de Fundação já vemos que essa é uma das promessas da Mãe:

 

a) Estabelecer-se-á na Capelinha;

b) Dali distribuirá dons e graças em abundância;

c) Atrairá a si os corações juvenis;

d) E os educará;

e) Transformá-los-á em instrumentos aptos;

f) E com eles, à medida que se abandonarem às suas mãos, empreenderá um movimento de renovação.

 

A Mãe promete nos transformar em instrumentos aptos à medida que nos abandonarmos em suas mãos, como filhos ansiosos por serem educados. Abaixo podemos identificar algumas propriedades da piedade do instrumento: (Do livro Espiritualidade mariana do Instrumento)

 

  • Desprendimento total, (Desprendimento de sua própria vontade.)
  • Vinculação total, (Doação integral à Deus e à sua vontade.)
  • Elevada prontidão de empenho, (ou Incansável impulso de conquista.)
  • Caráter de parusia, (Tornar Maria presente e visível. Refletir, manifestar o Divino.)
  • Liberdade interior, (Os instrumentos perfeitos decidem-se por Deus na liberdade e alegria interior.)
  • Rica fecundidade. (O instrumento na mão de Deus visa uma só coisa: libertar e fazer liberar o espaço para Deus e sua fecundidade.)

 

Os Heróis de Schoenstatt procuraram viver em profundidade o sentido de serem instrumentos:

 

Padre José Kentenich

“Não somos instrumentos mortos, mas que atuam de livre vontade.”

 

 

João Luiz Pozzobom 

“Usa- me, querida Mãe, para o bem da Igreja e pela renovação das famílias”.

 

 

Gertraud von Bullion

“Quero servir!”

 

 

José Engling 

“Quero tornar-me tudo para todos e ser propriedade exclusiva de Maria”.

 

 

Mário Hiriart 

“Sou engenheiro, tenho planejado ao longo de minha vida… agora mudam os papéis, sei que agora devo deixar que seja o Pai quem faz os planos, devo somente cumprir sua vontade.”

 

 

Beato Carlos Leisner

“Guia-me para a tua Luz, Senhor, Deus Todo- Poderoso. Prometo solenemente, ser teu instrumento”.

 

 

Busquemos, também nós, a instrumentalidade como forma de vida. A exemplo de Jesus, que o nosso maior alimento seja fazer a vontade do Pai. Com nossa Mãe Três Vezes Admirável possamos dizer: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua Palavra!”

 

“Mãe Três Vezes Admirável, dá que sejamos sempre teus instrumentos; com amor, hoje e sempre nos consagramos ao teu serviço. Usa-nos como agrada a Deus, inteiramente para o teu Reino de Schoenstatt. Toma nosso coração e nossa vontade, como tua inteira propriedade; ao teu aceno e à a tua palavra eles se inclinam cegamente. A honra e a glória do instrumento é ser tua inteira propriedade, pronto a servir sem reservas a tua Obra de Schoenstatt. Envia-nos sofrimento, conduze-nos à luta, faze que conquistemos a plena vitória. Contra a astúcia e a fúria do Demônio, dá-nos luz e fortalece nosso ânimo.” (Rumo ao Céu 606-608)

 

“O universo, com alegria, dê glória ao Pai, no Espírito Santo, em seu esplendor, louve-o por Cristo e com Maria, agora e na eternidade. Amém. (Rumo ao Céu Ofício de Schoenstatt)

 

Por Kennedy Rocha

 

* Kennedy Rocha pertence ao Ramo da Liga de Famílias de Schoenstatt do Santuário Tabor da Liberdade

 

 

Compartilhe

© 2019 Schoenstatt. Todos Direitos Reservados

Weblite