É mesmo ele! Meu Senhor e meu Deus!

11 de junho de 2020

 

 

Neste tempo de pandemia fomos forçados a um jejum eucarístico. Será que conseguimos sentir o verdadeiro valor da Eucaristia como alimento espiritual para nós? O que fazíamos das nossas comunhões quando podíamos comungar?

 

 Ao levantarmos os olhos para o Pão e o Vinho consagrados, só podemos dizer: “É mesmo Ele! Meu Senhor e meu Deus!”

 

No dia de Corpus Christi, a Igreja Católica celebra o mistério da eucaristia, sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo, instituído à última ceia de Jesus com os apóstolos. Pela Palavra, recebemos a herança do próprio Deus como alimento vivo descido do Céu, enquanto vivermos, e os Evangelhos testemunham este mistério. As palavras de Jesus, na noite de Quinta-feira Santa, são o testamento de que Ele dá o pão como sendo o seu corpo, o cálice de vinho como sendo o seu sangue, o cálice da nova e eterna Aliança.

 

Este é meu corpo

A Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo foi instituída no século XIII. A história conta que uma consagrada chamada Juliana de Mont Cornillon teve uma visão de Jesus pedindo-lhe que as pessoas celebrassem mais o mistério da Eucaristia. Isto aconteceu na Bélgica em 1243. Naquela época, comungava-se pouco e surgiam muitas dúvidas sobre a presença real de Jesus na hóstia consagrada. Foi nesse contexto que aconteceu um dos milagres eucarísticos mais importantes na história da Igreja, o Milagre de Bolsena-Orvieto. A hóstia, durante a missa, sangrou nas mãos de um sacerdote que duvidava da Eucaristia, manchando o corporal com o preciosíssimo sangue.

 

A resposta da Igreja veio com a bula “Transiturus”, publicada pelo Papa Urbano IV, com a qual instituiu a celebração da Solenidade de Corpus Christi em toda a Igreja na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade.

 

Na santa missa, quando o sacerdote ordenado pronuncia as palavras de Jesus, é o próprio Ressuscitado que se compromete, como na noite de quinta-feira santa, em dar-se como alimento de vida eterna. A partir de então, tornamo-nos agraciados como o povo de Israel, que, em sua caminhada pelo deserto rumo à Terra Prometida, foi alimentado com um pão descido do céu, o maná, como testemunha o Antigo Testamento. Nós passamos a ser alimentados com a própria vida de Jesus!

 

Louvor e Adoração

Na missa solene de Corpus Christi, o sacerdote consagra duas hóstias, uma para comungar e a outra para ser apresentada aos fiéis para adoração, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja. 

 

O povo de Deus prepara o caminho tecendo tapetes das mais variadas formas para Jesus Eucarístico passar, numa procissão de louvor, adoração e ação de graças. O padre conduz Jesus Eucarístico pelo caminho então preparado para sua passagem de forma que todo povo o contemple e possa render graças ao Cristo Jesus que se fez pequeno para estar entre nós.

 

Lauda Sion!

O Papa Urbano IV encomendou a Santo Tomás de Aquino a preparação de um ofício litúrgico para a festa e a composição de hinos, que são entoados até o dia de hoje: Lauda Sion – a sequência rezada durante a missa, veja abaixo:

 

Sião, exulta de alegria, louva teu pastor e guia com teus hinos, tua voz!

Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo não repouses: sempre excede o teu louvor!

Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida vem com ela celebrar!

Este Pão, que o mundo creia! por Jesus, na Santa Ceia, foi entregue aos que escolheu.

Nosso júbilo cantemos, nosso amor manifestemos, pois transborda o coração!

Quão solene a festa, o dia, que da santa Eucaristia nos recorda a instituição!

Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e realeza, foi-se a Páscoa dos judeus.

Era sombra o antigo povo, o que é velho cede ao novo: foge a noite, chega a luz.

O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar.

Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para nossa salvação.

Deve-o crer todo cristão: faz-se carne o pão de trigo, faz-se sangue o vinho amigo.

Se não vês nem compreendes, gosto e vista tu transcendes, elevado pela fé.

Pão e vinho, eis o que vemos; mas ao Cristo é que nós temos em tão ínfimos sinais.

Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão.

É por todos recebido, não em parte ou dividido, pois inteiro é que se dá!

Um ou mil comungam dele, tanto este quanto aquele: multiplica-se o Senhor.

Eis a hóstia dividida… Quem hesita, quem duvida? Como é toda o autor da vida, a partícula também.

Jesus não é atingido: o sinal que é partido: mas não é diminuído, nem se muda o que contém.

Eis o pão que os anjos comem, transformado em pão do homem; só os filhos o consomem: não será lançado aos cães!

Em sinais prefigurado, por Abrão foi imolado, no cordeiro aos pais foi dado, no deserto foi maná…

Bom Pastor, pão de verdade, piedade, Jesus, piedade, conservai-nos na unidade, extingui nossa orfandade, transportai-nos para o Pai!

Aos mortais dando comida, dais também o pão da vida; que a família assim nutrida seja um dia reunida aos convivas lá do céu! Amém! Aleluia!

 

Por Íris Marcomini 

 

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