Anunciação a Maria: um sim que marcou a história

25 de março de 2020

 

 

Hoje celebramos a Festa da Anunciação do Senhor, em que recordamos o momento que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se encarnou no vente de Maria. Por isso a data, 25 de março, exatos nove meses antes do Natal.

 

Na liturgia e na espiritualidade cristã, toda e qualquer referência à Virgem Maria está ligada diretamente ao seu Filho Jesus. Por isso, originariamente, ao menos no Oriente, a festa de 25 de março era considerada uma festa mariana. Nos séculos seguintes a festa foi introduzida também no Ocidente, algumas vezes com referência ao Senhor, outras a Maria, até o Concílio Vaticano II esclarecer definitivamente. De fato, Paulo VI na Exortação apostólica Marialis cultus, de 1974, ao fixar a denominação “Anunciação do Senhor” esclarece que se trata da festa conjunta de Cristo e da sua Mãe.

 

Na verdade, sendo ou não uma festa mariana, Maria é – sem dúvida – uma protagonista no acontecimento da anunciação, pois Deus se faz depender do sim da ‘pequena Serva de Nazaré’ para a realização de seu plano.

 

 

O sim crente e obediente de Maria

No momento da Anunciação vemos Maria como a Virgem ouvinte: ela ouve, em silêncio, o anúncio do anjo; deixa que Deus fale e esta palavra entra em seu coração como a chuva penetra em terra fértil. A Anunciação não é um fato isolado na vida de Maria, como se somente neste momento ela tivesse ouvido o Senhor. A Sagrada Escritura registra nas passagens onde Maria aparece, que sua atitude fundamental era ouvir a mensagem de Deus, que lhe falava pelos acontecimentos (o Edito do Rei e a consequente viagem para Belém) e pelas pessoas (Simeão, São José, os pastores, seu próprio Filho). Sua atitude é sempre de acolhida e interiorização, expressa na observação do autor bíblico: “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2, 19).

 

Maria se decide livremente para os planos de Deus. Ela utiliza sua liberdade para comprometer-se com o que constitui a opção fundamental de sua vida: seguir em tudo o plano traçado pelo amor do Pai para a sua vida. Ela é a Virgem obediente que, mesmo quando não entende a vontade de Deus, a abraça inteiramente. O que não impede que ela indague e tente entender como o milagre vai acontecer. Seu consentimento é a realização máxima da liberdade do homem redimido, dado na força da graça divina. É como um eco do ‘Eis-me aqui’ de Jesus do qual fala São Paulo: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: ‘Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10, 5-7). Porém, o sim de Maria é também fruto do seu empenho pessoal em decidir-se para Deus e sua vontade. Ela é o modelo dos livres filhos de Deus.

 

 

Maria, instrumento vivo de Deus na ‘história da aliança’

Com o anúncio do anjo, Maria toma consciência da missão que Deus lhe confiou: o Todo-poderoso a convida a aceitar livre e fielmente a vocação de ser a Mãe do Salvador. Ela intui que o seu ‘faça-se’ não é simplesmente um acontecimento escondido na sua história pessoal, mas o início de uma nova etapa da relação entre Deus e a humanidade. Da sua resposta depende todo o gênero humano.

 

O acontecimento da Anunciação coloca Maria no centro da história da aliança, onde lhe é pedida sua colaboração livre e incondicional. Deus, que é Onipotente, é fiel a si mesmo e não quer salvar o mundo sem a cooperação humana. Por isso, o ingresso do Deus encarnado no mundo é precedido da livre cooperação de Maria. Sua resposta pronta e generosa faz dela instrumento vivo de Deus na obra da Salvação.

 

O sim de Maria tem, portanto, uma dimensão individual, pois faz parte da sua vocação e história de vida, que é única, irrepetível. Todavia, tem também uma dimensão comunitária, pois teve consequências para a humanidade inteira. Também é o modelo das nossas relações com Deus. Cada cristão é chamado a viver muitos ‘momentos de anunciação’ em sua vida: ouvir a voz de Deus, decidir-se pelo seu plano e cumprir a sua vontade. A exemplo de Maria e com ela, é chamado a ser instrumento para a construção do Reino do Pai.

 

 

No Santuário de Schoenstatt: a Mãe e Rainha nos educa a dizer ‘Fiat’ (Faça-se)

A Mãe de Deus continua sua ação em nosso mundo como cooperadora na obra de seu divino Filho. Nós cremos que ela realiza a sua missão hoje, também, pelos Santuários de Schoenstatt, onde, pela Aliança de Amor, educa seus filhos a, com e como ela, dizerem sempre sim aos desejos e à vontade do Pai.

 

Uma das graças específicas do Santuário é a da transformação interior. Maria, como boa Mãe, é educadora e não descansa até que todos os filhos a ela confiados recebam os traços de seu divino Filho Jesus Cristo. E quem foi mais parecida com Jesus do que sua própria Mãe? Por isso, a Aliança de amor com a Mãe Três Vezes Admirável visa a fazer de cada um que estende as mãos a ela, pequenos reflexos de Maria.

 

Especialmente a prática de entregar as contribuições para o Capital de Graças nas mãos da Mãe e Rainha, no seu Santuário, nos educa a dizer constantemente nosso ‘Faça-se’ à vontade de Deus. Deus nos envia alegrias? Faça-se a sua vontade! Ele nos prova com a dor? Faça-se a sua vontade! Nossos empreendimentos, apesar de todo esforço e boa-vontade, são um fracasso? Faça-se a sua vontade! Apesar de todo esforço na autoeducação, ainda sofremos tanto com nossas faltas e fraquezas? Faça-se a sua vontade! Tudo colocamos, com alegria, no Capital de Graças! Cada vez que colocamos nossas contribuições nas mãos de nossa querida Mãe e Rainha, vivemos pequenos ‘momentos de anunciação’ em nossa vida.

 

 

Fonte: Na Escola de Maria 1 – Imagem Bíblica de Maria, Sociedade Mãe e Rainha, 1ª edição, p. 31 – 44

 

 

Por Ir. M Rosequiel Fávero

 

Imagem: Natthias Stomer, em Wikipedia

 

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