Ano Pozzobon

11 de setembro de 2019

“Se é vontade de Deus, um único homem pode mover o mundo inteiro”

 

Esta frase do Servo de Deus João Luiz Pozzobon pode ser uma das suas muitas ‘afirmações iluminadas’ que melhor expresse o que estamos vivendo a partir de hoje: o Ano João Pozzobon, que seguirá até 10 de setembro de 2020, quando a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, por ele iniciada, completará 70 anos.

 

Serão 12 meses para conhecer melhor e para deixar-se incendiar pelo fogo missionário que ardeu neste nosso Irmão na Aliança de Amor, que muito bem é indicado como o ‘José Engling’ da América Latina.

 

Nele se encaixam como ‘uma luva’ as condições para se reconhecer uma obra de Deus, segundo o que nos ensinou nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich: “a pequenez dos instrumentos, as muitas dificuldades e a grandeza dos resultados”.

 

A pequenez do instrumento

 Recordando o fato de ter sido considerado ‘inapto’ pelo exército brasileiro, quando João Pozzobon tentou se alistar (ele tinha um problema de visão acentuado), ele afirmou feliz: “A infinita bondade, a misericórdia de Deus não me julgou incapaz, utilizou-me como sou e me confiou sua Mãe Santíssima para a Campanha do Santo Terço”[1].

 

João Pozzobon reunia em si muitas características que evidenciavam sua pequenez: seu pouco estudo (três anos numa precária escola paroquial), sua origem humilde como filho de imigrantes italianos (como os outros imigrantes, ele nem mesmo o português falava direito), sua condição de leigo num tempo em que a Igreja ainda não havia despertado para protagonismo dos leigos. Como proprietário de um pequeno comércio, João Pozzobon não possuía uma condição financeira que lhe permitisse dedicar-se em tempo integral para a missão. E tinha consciência da responsabilidade em relação à sua família: “tenho sete filhos, uma esposa, tenho de dar contas a Deus de meus filhos e de minha esposa”, afirmou, “eu havia dito à Mãe e Rainha que pouco importava mover o mundo inteiro, se descuidasse da minha família. Se isso acontecesse, não estaria fazendo nada…”[2]

 

Não importando seus limites, João Pozzobon colocou-se “como um pequeno instrumento, como um menino”[3] nas mãos da Mãe Três Vezes Admirável. Muitas vezes se autodenominou o ‘burrinho de Maria’, um animal símbolo da simplicidade.

 

As grandes dificuldades

 Além das dificuldades resultantes da sua missão, como os sacrifícios e as grandes caminhadas com a Mãe Peregrina, João Pozzobon partilhou com a Família de Schoenstatt de Santa Maria as incompreensões do tempo do exílio do Padre Kentenich.

 

Neste tempo, do qual ele dizia que “ventos fortes sopravam violentamente, querendo destruir (Schoenstatt) ”, as atividades do Movimento de Schoenstatt foram proibidas na diocese. Também as romarias ao Santuário Tabor. Somente João Pozzobon, ainda que enfrentando dificuldades, conseguiu continuar com o apostolado com a Mãe Peregrina.

 

João Pozzobon sofreu incompreensões também dentro da Família de Schoenstatt. Como pioneiro, pode-se afirmar que ele ‘inculturou’ a espiritualidade de Schoenstatt na cultura religiosa popular do Rio Grande do Sul. O que, na época, foi visto por alguns com certa desconfiança: seria sua ‘forçada Campanha’ realmente fiel ao Fundador e ao Movimento de Schoenstatt?

 

A Mãe foi a ‘Vencedora’

Num diálogo com seu pai, João Pozzobon contou como a Mãe e Rainha continuou atuando prodigiosamente e como o Movimento de Schoenstatt passara pelos anos de dificuldade. Seu pai lhe perguntou: “Venceste, então? ”, ao que respondeu Pozzobon, “Eu não. Ela é a Vencedora! ”[4]

 

O crescimento da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, principalmente após a morte de João Pozzobon ocorrida em 1985, foi exponencial. Cerca de 200 mil imagens da Mãe e Rainha peregrinam em mais de 100 países, em todos os continentes.

 

Somente no Brasil, cerca de 16 milhões de brasileiros recebem a visita da Mãe Peregrina de Schoenstatt todos os meses – o que representa 13,6% dos católicos em nossa pátria e, incluído nisso, também estão muitos que não são católicos e a acolhem em seus lares.

 

A Família de Schoenstatt no Brasil e no mundo não consegue mais se conceber sem a Mãe Peregrina e João Luiz Pozzobon, o ‘burrinho de Maria’, é objeto de congressos, simpósios e retiros; estudado por teólogos leigos e sacerdotes e, se Deus assim o permitir, em breve será o primeiro schoenstattiano brasileiro elevado à honra dos altares.

 

Sim, com ele podemos afirmar “Se é vontade de Deus, um único homem pode mover o mundo inteiro”[5]. Que este Ano João Pozzobon que hoje inicia possa ‘mover o mundo’, conquistar corações. E fazer-nos poder afirmar, sobre nós, o que Pozzobon deixou gravado no seu ‘testamento espiritual’ e que servirá de lema para o ano que hoje inicia: “Entendi a missão e por ela a minha entrega foi total”.[6]

 

 

[1] Herói hoje, não amanhã, 21.

[2] Herói hoje, não amanhã, 46.

[3] Herói hoje, não amanhã, 46.

[4] Herói hoje, não amanhã, 79.

[5] Herói hoje, não amanhã, 46.

[6] Herói hoje, não amanhã, 185.

 

Por Ir. M. Rosequiel Fávero 

 

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