A PIOR CEGUEIRA É DAQUELES QUE NÃO QUEREM ENXERGAR

22 de março de 2020

Imagem de Anemone123 por Pixabay

 

Certa vez ao ler a obra prima de Antoine de Saint-Exupéry, me deparei com a bela frase: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos” (Livro O Pequeno Príncipe), e ao refletir sobre a cura do cego de nascença, próximo à piscina de Siloé, (Jo 9,1-41) esta frase me veio à memória.

 

No trecho evangélico citado, a cura do cego serviu de pano de fundo para a discursão sobre a credibilidade de Jesus, se Ele realmente era um profeta ou não.

 

Os fariseus já tinham os seus paradigmas fechados e não queriam mudar de opinião, mas através de uma interrogação absurda, buscavam a confirmação de suas próprias verdades.

 

Quando nos fechamos às nossas próprias verdades não damos espaço para que Deus nos mostre a Sua verdade. Nós colocamos uma viseira à nossa frente e não conseguimos enxergar novas possibilidades, nem a originalidade do outro e ou o novo que Deus tem para nós.

 

O pensamento mecanicista presente nos dias de hoje, impede o homem moderno de enxergar além dos seus paradigmas e o molda, não à imagem libertadora do Filho Heroico do Pai, mas sim à um mero fantoche manipulável. O mundo de hoje nos seduz com ideologias de liberdade política, financeira, sexual, cultural, religiosa, mas no fundo o que vemos é uma intolerância aos valores da família, da fé, do cuidado, do compromisso, da educação dos filhos; nos tornando meros repetidores da mídia.

 

A pior cegueira é daqueles que não querem enxergar

Nós vivemos no tempo da valorização da imagem, o homem vale aquilo que ele aparenta ser e não aquilo que ele verdadeiramente é. Nos meios de comunicação e nas redes sociais nós vemos personalidades lindas, de aparência impecável, mas quando abrem a boca é apenas um amontoado de palavras sem nenhum conteúdo, e aqueles que ouvem ainda batem palmas, e sem nenhuma crítica ou critério de avaliação vão engolindo o que a mídia vai lhes empurrando. Estamos olhando apenas com os olhos e não estamos vendo com o coração.

 

Nós precisamos educar o nosso coração para enxergar através das lentes do amor. Precisamos enxergar o outro com os olhos do Pai, ver nele, não as misérias, mas um filho de Deus digno de misericórdia.

 

Os fariseus não quiseram enxergar Jesus como o Filho de Deus, não quiseram enxergar aquele cego como alguém digno de misericórdia, mas impunham sobre o povo o fardo da opressão e do coletivismo os obrigando a pensar e viver como eles consideravam ser a forma correta.

 

Mas Jesus veio para inaugurar o novo tempo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.” (Lc 4,18-19) Por sua Cruz fomos libertos dos nossos pecados e de todo sistema de escravidão e morte. Ele veio nos trazer vida em abundancia.

 

 

Schoenstatt nos ensina a ver o novo

O Padre José Kentenich foi um sacerdote a frente do seu tempo, um verdadeiro profeta de Maria. Ao estudarmos os seus escritos constatamos que, a mais de cinquenta anos atrás, ele já havia identificado essa cegueira espiritual que massifica o homem moderno.

 

Certa vez, o Pai e Fundador utilizou a imagem do rebanho para ilustrar essa massificação: “Só reage ante as ordens que lhe gritam; como um autômato que só pode ser colocado em movimento desde fora(…); uma massa que se dilui em átomos que não tem nem travamento nem consistência interna; um rebanho de animais selvagens que se entrega voluntariamente a faca de seus domesticadores, depois de se colocar indolentemente a sua disposição”. (Desafios, 21) O Pai e Fundador ensina a livre obediência: “A obediência cristã não se submete ao homem, senão a Deus através do homem. Consequentemente, não forma o homem massa, senão personalidades vigorosas, plenas de Deus, que são capazes de superar o egoísmo primitivo e cultivar em alto grau o amor desinteressado.” (P. Kentenich. Para um mundo do amanhã, 130). “A ideia da liberdade verdadeira nunca mais nos há abandonado. Transformou-se em pergunta chave de nossa espiritualidade”. [1]

 

 

 

“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”

A Campanha da Fraternidade 2020 nos convida à “Fraternidade e vida: dom e compromisso”, e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Nós estamos tendo dificuldades em ver o outro, olhamos, mas não vemos. Nos prendemos apenas à aparência que nossos olhos captam e fechamos os olhos do coração e não conseguimos ver no outro a dignidade de filho de Deus. Não cuidamos da nossa casa comum, da vida como um todo, como dádiva de Deus. Que Jesus, o Bom Samaritano, acenda em nós a chama viva do seu amor e nos ajude a abrasar o mundo através do cuidado, numa vivência profunda da nossa Aliança de Amor com a Mãe Três Vezes Admirável.

 

[1] Padre Nicolás Schwizer N° 159 – 01 de agosto de 2014 –  https://www.schoenstatt.org/images/uploads/material%20padre%20nicolas/15 9%20PN%20O%20Homem%20Massa.pdf)

 

“O universo, com alegria, dê glória ao Pai, no Espírito Santo, em seu esplendor, louve-o por Cristo e com Maria, agora e na eternidade. Amém. (RC Ofício de Schoenstatt)

 

 

Por Kennedy Rocha

* Kennedy Rocha pertence ao Ramo da Liga de Famílias de Schoenstatt do Santuário Tabor da Liberdade

 

 

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