Sínodo da Amazônia: Desafio e missão para a Igreja

7 de setembro de 2019

 

Mãe Peregrina às margens do Rio Canumã, no estado do Amazonas foto: Michele Leite

 

Em 2017, o Papa Francisco convocou a Assembleia Sinodal para a Pan-Amazônia, que reunirá os bispos no Vaticano entre os dias 6 e 27 de outubro deste ano. Com o objetivo de discutir e repensar o papel da Igreja Católica em defesa da Amazônia, o Sínodo quer ser um espaço de escuta das necessidades e preocupações dos povos amazônicos.

 

Nove países compartilham a Pan-Amazônia: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Nela está uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta e alberga a maior bacia hidrográfica do mundo, sendo que a maior parte de toda essa riqueza está no Brasil – e é um patrimônio de todos os brasileiros, independentemente de onde moramos.

 

“Cristo aponta para a Amazônia”

Não é de agora que a Igreja volta seu olhar para a Amazônia: já em 1971, em Santarém/PA, surge uma preocupação dos bispos da Amazônia com essa realidade. O Papa da época, São Paulo VI, dizia: “Cristo aponta para a Amazônia”. Em 1997 foi criada a Comissão Episcopal para a Amazônia e esse assunto está no coração do Papa Francisco já há alguns anos, como em 2007 quando ele foi redator da 5ª Conferência em Aparecida, a referência à Amazônia apareceu em vários momentos.

 

Recentemente o Papa afirmou que “O Sínodo é filho da Laudato si’, quem não leu essa Encíclica jamais entenderá o Sínodo sobre a Amazônia” [1]. Destacando que esta não é uma encíclica verde, mas uma encíclica social baseada no cuidado da Criação.

 

“Vós não sois terra de ninguém”

É bom lembrar que a Igreja sempre teve (e continua tendo) um papel de destaque na denúncia dos desrespeitos cometidos naquelas terras. Seus missionários, presentes há séculos, são um grito contra a injustiça (em meio àquela imensidão de água e de floresta), inclusive dando a vida pelas pessoas que ali vivem. “Até o início do século XX, as vozes em defesa dos povos indígenas eram frágeis, embora não ausentes” (cf. Pio X, Carta Encíclica Lacrimabili Statu 7.6.1912).

 

Um dos problemas enfrentados é que, boa parte da população brasileira e mundial, considera a Amazônia “terra de ninguém”. Em sua viagem ao Peru (em 2018) o Papa destacou “vós não sois terra de ninguém”. E ainda nos recorda: “Maria, jovem mulher que vivia numa aldeia remota, perdida, considerada também por muitos como «terra de ninguém». Lá recebeu Ela a saudação e o maior convite que uma pessoa pôde experimentar: ser a Mãe de Deus!”

 

O Sínodo, todavia, adverte o Papa, “não é uma reunião de cientistas ou de políticos. Não é um parlamento: é outra coisa. Nasce da Igreja e terá missão e dimensão evangelizadora” [2].

 

Rezemos para que seja um momento de profunda reflexão, conduzido pelo Espírito Santo e que seus frutos possam ser reflexo da vontade de Deus para a sua Igreja e a humanidade inteira.

 

Terço dos Homens Mãe Rainha de Belém/PA – Foto: Julio Grandi

 

 

Referências

[1] Entrevista ao jornal italiano La Stampa -Vatican Insider: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-08/francisco-o-sinodo-filho-da-laudao-si.html

[2] Idem

 

Por Michele Benetti Leite 

 

Fonte: Portal Nacional de Schoenstatt

 

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